Os leigos na Igreja
Pelo batismo o cristão entra na Igreja. Na Igreja assume sua vocação, consciente de sua dignidade de filho de Deus. A vocação do leigo, mulher ou homem, é ser presença evangélica nas realidades terrestres. Isto é, vive o seu batismo no coração do mundo. E é somente por intermédio dos leigos que a Igreja faz sua inserção nas realidades temporais. É a índole secular dos leigos.
Bento XVI, na abertura da Conferência de Aparecida, convocou os leigos a assumirem sua missão com “audácia e entusiasmo”. Os leigos “devem sentir-se co-responsáveis na construção da sociedade segundo os critérios do Evangelho, com entusiasmo e audácia, em comunhão com os seus Pastores”. O Papa deu ainda um recado à hierarquia da Igreja: “Promover um laicato amadurecido, co-responsável com a missão de anunciar e fazer visível o Reino de Deus”.
No coração do mundo os leigos assumem as opções de Jesus: o amor preferencial pelos marginalizados e excluídos; o exercício da autoridade como serviço; a misericórdia para com todos; a defesa da vida.
Cabe aos leigos a defesa das instituições necessárias ao bem comum: a família sólida, “patrimônio da humanidade” e insubstituível para a serenidade e para a educação dos filhos” (Bento XVI); a democracia com liberdade e vida digna para todos; a liberdade de expressão, de organização, de educação e de vivência religiosa; a ética nas relações entre as instituições e de poder; o diálogo no conflito entre Estado e organizações intermediárias, inclusive os movimentos sociais.
Os leigos precisam alimentar sua fé pela oração, pela leitura da Palavra de Deus, pela recepção dos sacramentos, que culminam na Eucaristia. Comungando, o leigo se transforma em sacrário vivo, do qual brota “um novo jeito de viver e amar”.
Bênção de Deus sobre nossos Leigos.
Dom Sinésio Bohn
Bispo de Santa Cruz do Sul